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Superando o desafio do câncer de mama…

 

Minha Caminhada…

Começou quando minha irmã mais nova me sugeriu mudar de médico para ver se eu resolvia a dor que sentia no seio e no braço. Quando procurei outro médico que deu um passo à frente. Solicitou uma ressonância, pois como meu seio era denso, nunca apareceu com os exames de mamografia e ultrassom que já estava realizando há anos e nunca acusava nada. Assim, graças a este exame, pude identificar o tumor, que já tinha feito metástase nos linfonodos do braço esquerdo, do qual sempre me queixei de dor. Por isso,  hoje aconselho a todas as mulheres a insistir com seu médico em realizar todos os exames, mesmo que a literatura indique tão somente os exames de praxe.

Meu envolvimento com o Câncer iniciou quando minha mãe enfrentou a doença e eu prometi a colaborar com a oncologia infantil. Iniciei um projeto que levou algum tempo para ser aprovado. Após tudo certo para eu iniciar, eu descobri meu diagnóstico. Tive que adiar por causa da baixa imunidade.

Recebi a notícia do diagnóstico um dia antes de viajarmos para a Alemanha buscar nossa filha mais nova que estava realizando Intercambio por um ano.  Resolvi não contar para ninguém antes da viagem, pois estragaria  tudo. Viajamos muito felizes, aproveitei a viagem com muita consciência, sempre chamando a família para uma boa convivência, com muita gratidão por estarmos juntos e sempre chamando atenção para todos os momentos vividos. Fizemos uma linda viagem em família. Estávamos eu, meu marido e nossas duas filhas.

No retorno, demorei ainda uns três dias para colocar a vida em ordem. Então, fui buscar o resultado do exame, o qual eu já sabia pela reação do médico que me chamou para repetir este exame de imagem na noite anterior a viagem.

No dia que eu tive a absoluta certeza, eu contei ao meu marido. Depois, contei a uma irmã e pedi que fosse comigo ao médico que havia solicitado a ressonância.  Na consulta, ele me falou muito constrangido sobre o resultado e como eu já estava super preparada, já quis marcar a cirurgia. Ele me disse que geralmente não era na primeira consulta que ele falava da cirugia, mas eu lhe disse que eu já havia me preparado. Então após a conversa, busquei uma outra opinião a respeito da cirurgia e acabei realizando em Porto Alegre, com um médico muito bom também.

Neste meio tempo, entre a notícia e a cirurgia enfrentei a luta dos pensamentos em como contar para a minha mãe e para minhas filhas.

Passei uma tarde com minha mãe e quando resolvemos estudar um pouco de logosofia, encontramos um ensinamento que dizia assim. O inconsciente não tem problemas, pois não os percebe, os que possuem o conhecimento também não tem problemas, pois se tem o conhecimento para resolvê-lo, logo não tem o problema. O único problema é quando tem o conhecimento e não o usa. Então, quando chegou neste ponto, eu chamei a atenção da minha mãe, que um exemplo deste ensinamento era como ela havia enfrentado o seu problema com o câncer.  Assim que descobrimos um câncer nos seus rins,  buscamos o conhecimento médico e resolvemos o problema da melhor forma possível. Pegamos o problema no início e conseguimos resolvê-lo sem maiores complicações. Logo não deixamos que se transformasse em problema. E assim, pude falar a ela que agora eu passava pela experiência, mas que também já tinha a solução, então estava tudo bem. Ela me apoiou muito, pois pedi a ela que agora eu precisava de pensamentos de fortaleza e alegria, ela muito inteligente, me apoiou e não ficou mal.

Senti muita gratidão a Logosofia por tantos elementos para enfrentar a vida em todas as suas oportunidades.

Da mesma forma, usei a mesma tática para contar para minhas filhas. Choramos juntas, mas depois já estávamos rindo, pois não ampliei o problema. Deixei no seu verdadeiro tamanho.

Logo realizei a cirurgia e iniciei as quimioterapias. Não estou sentindo quase nada, a não ser ficar careca. No momento de raspar a cabeça eu sofri muito, mas decidi que não ia mais deixar os pensamentos me torturarem, pois iria somente cortar os cabelos e não a mente.  Então relaxei  e hoje estou uma careca feliz.

Como enfrentei os pensamentos que geralmente atacam a mente frente a um diagnóstico de câncer:

Morte – Aprendi que ninguém sabe quando vai morrer,   então aprendi que morte não se chama , pois ela vem sozinha. Ninguém pode garantir que um doente vá morrer antes de alguém são, então eu não deveria ter esta preocupação.

Temor da doença – Não permito pensamentos de falta de confiança entrar em minha mente. Sempre penso que o tratamento é eficaz e que tudo vai passar e ficará como uma bela experiência e que está me fortalecendo, além de estar me renovando por inteira.

Pensamentos que me fortalecem diariamente:

Gratidão por ter sabido enquanto era cedo; que não foi com outro familiar; que é uma oportunidade de superação, de aprendizado para a eternidade.

Gratidão pela minha querida família e aos amigos. Valorizo a descoberta de quantas pessoas queridas tenho  ao meu redor.

Gratidão à Ciência Logosófica que me oferece muitos elementos de valor para colaborar nesta experiência.

Não parar de realizar minhas tarefas, a não ser no período da cirurgia. Permanecer sempre  em ativa. Penso que este é um grande fator para me manter sempre bem.

Jamais deixar os pensamentos de temor, de desânimo, de doença tomar conta e sempre cultivar a
Alegria e a Gratidão, além de buscar a companhia de pessoas otimistas, alegres, jamais pessoas que retiram energia.

Continuar colaborando no setor de adolescentes da Fundação Logosófica, isto me fortalece e me rejuvenesce.

Gratidão sempre. Pelo simples fato de respirar pelas manhãs já é um motivo para lembrar que estou viva e agradecer.

Este ensinamento abaixo pra mim está sendo uma grande ajuda para manter bem os  pensamentos:

“Colocar os problemas dentro da vida e não a vida dentro dos problemas.”

Assim, estou vivendo meu dia a dia normalmente, e jamais dou ouvidos a pensamentos de insegurança ou de tristeza.

Sinto gratidão todos os dia pela vida e pelas oportunidades que estou vivendo.

Outro ponto mais físico é o super cuidado com a alimentação. Busco sempre o natural e abandonei o industrializado. Muitas sementes, frutas, verduras, alimentos integrais e muita, muita água.

Agora pretendo participar ativamente da rede feminina de câncer e estou muito feliz por poder colaborar no que puder com as guerreiras que lá conheci.

Outro objetivo que vou poder alcançar é a execução do meu projeto com a oncologia infantil, pois descobri que as crianças se hospedam em uma casa ao lado da rede e eu poderei ir lá para contar historinhas para as crianças. Estou muito realizada e muito feliz!!!!!

Com esta forma de encarar esta oportunidade de superação, tenho conseguido fazer da minha vida e da minha família, uma vida feliz, sem sequelas de sofrimento em nenhum ser que amo. Por isso não me canso de expressar minha gratidão pela ciência Logosófica que me aporta todos os elementos para viver com dignidade esta experiência.

Afetuosamente,

Odete Bernarda Dias de Castro Tiecher

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